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	<title>Eduarda Neves</title>
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		<title>Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IV</title>
				
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Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IVMafalda Santos&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/0c3c6779ee76ffabe35e29321d86f701fc9e09d6a6a506acda97809708a889f2/652756678_17998671020872456_1230121772530166887_n.jpg" data-mid="1435963" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1200" width_o="1200" height_o="1200" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/78335d289e7d8252b741a04144468afb2ad2cb53a43dda66a7042ebb1d613eb7/654012106_17998671002872456_8598719538523060038_n.jpg" data-mid="1435964" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1200" width_o="1200" height_o="1200" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/9d4661acb4fa26330bb7faf93633a3e64b94d583fd6ac7c9fd648bc2df47a30f/653792075_17998670972872456_2538054849987052076_n.jpg" data-mid="1435965" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/2c8f22c1893b68517c4d45e0f71a6a16ebb3ab5480a6660937d74983aad8e5cc/654910331_17998670996872456_8719930200299836595_n.jpg" data-mid="1435966" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/2b41a9921c6b02b59346d3792a57dc1cfcd1bdc5e0ec75bad4d110d8008f668a/654388121_17998671017872456_7739470398007071794_n.jpg" data-mid="1435967" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1546" width_o="1200" height_o="1546" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f4fbec638c97d5ac33b6ca926122233f6c54919ca16ff4776cc53c6e11d0e4ca/651021376_18571760806053780_2572690185675269775_n.jpg" data-mid="1436344" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="412" height="593" width_o="412" height_o="593" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/26789a3a7dedf3d522544450e2a073580af81cfacad4566cb6d3fd0227a72063/Captura-de-ecra-2026-04-06--as-14.29.40.png" data-mid="1436345" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1548" width_o="1200" height_o="1548" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/d5fa1679f2cdde1aae0ef05dcd12bb5833fcaaffbde9e38212881a42ceb83661/651004404_18571760797053780_3334096380082596100_n.jpg" data-mid="1436346" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1908" width_o="1440" height_o="1908" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/bac75a995666d78aa9217bb24b4244c0e49c20f84ba48bcaa4099dd00c8f3d09/652025257_18571760776053780_9036151013378836138_n.jpg" data-mid="1436347" border="0" data-scale="50"/&#62;

um estranho vaguear
Por detrás, como um animal furtivo, esconde-se sempre, e uma vez mais, a questão da verdade. (Werner Herzog)


 
Há obras que, como alguns livros, não aspiram à posteridade. Singularmente movem-se como viajantes sem destino. Não fazem mais que existir. Sem verdade, apenas cumprem a sua condição de abertura, atravessam o tempo e prolongam memórias. O quarto momento do ciclo de exposições designado “Da paisagem ao mapa — capítulo IV”, ocupa o seu lugar na galeria Armazém Fundo, espaço que opera uma relação de contiguidade com a livraria Térmita. Esta situação faz articular mundos impossíveis que convocam a partilha de intensidades através das quais não encontramos a lógica da exactidão ou do comentário. Apenas o rumor da língua. Tanto melhor se aquelas não correspondem à realidade pois a comunhão é uma espécie de alquimia e não um qualquer modo de ser da verdade. 

Nestes Enredos as histórias não se contam através de signos escritos, da soberania de múltiplos regimes da linguagem ou frases impressas — projectam figuras informes que nenhuma língua é capaz de narrar. Inacabados, os enredos sobrepõem-se. Bloqueiam e confundem. Linhas, manchas e sombras desdobram-se num conjunto de forças transformado em movimento contínuo. Permanecem na imobilidade do tempo, sem cor, perdidas no espaço que lhes confere uma outra desordem. É isso que guardamos — um certo desamparo. 

Como uma fortaleza que encerra todo o estranhamento da matéria e resiste no silêncio, um livre_livroimpossibilita a promessa totalizadora do conhecimento, inscreve-se num território indefinido, sem prescrições, numa fantasmagoria que faz desaparecer a sacralização da ordem do saber. Este deixa de ser programável, configura-se numa obra que modifica a significação e inscreve potencialidades dinâmicas extra-ordinárias. Nestas massas visuais, o sentido é anunciado como transgressão e as imagens recordam-nos que não são apenas as palavras que ajudam ao esquecimento. 

Um lance de dados jogado ao acaso encontra o seu território em volumes que repousam na superfície transformando-se em cenas espaciais. Fazem implicar a profundidade das miragens, planos sucessivos e distantes, a ordem do aparentemente semelhante. Quando a imagem se manifesta como forma no exterior do texto e se dissemina como série indefinida, é o delírio que substitui a interpretação. A inteligência artificial não apreende o imenso caos ou a força do combate. Os dados estão lançados. A liberdade não é um acaso. 

As palavras recolhem-se no livro de artista. Palavras que não são exactas. Devolvem-nos grafismos, sons, texturas. A plasticidade da matéria. Nasce uma obra. A vida não cabe nas folhas de papel. Retomamos as histórias de maneira derivada e silenciosa, como uma cerimónia através da qual se interroga a violência da realidade. A apoteose espacial da superfície projecta caracteres, marcas, traços, configurações, que potenciam a omnipresença dos espaços vazios sem a regulação da verdade. 

A soberania de elementos gráficos compõe o dispositivo que fixa os limites da mimesis. A paisagem cresce como um inventário e aproxima-se do estado denso de um mapa. A indeterminação torna-se uma performativa recusa da referencialidade. Um estranho vaguear começa. 


Eduarda NevesA autora escreve segundo a antiga ortografia
esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IVMafalda Santos  um estranho...</excerpt>

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		<title>o tempo, o corpo, a floresta</title>
				
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 16:09:13 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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Exposição de Bartolomeu Gusmãotexto para catálogo o tempo, o corpo, a floresta
&#60;img width="6000" height="4000" width_o="6000" height_o="4000" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/26df9586248c5b066aec8384176f0ee27e25d41b67935aec578359d99a03786a/IMG_3959.jpg" data-mid="1435958" border="0" /&#62;&#60;img width="595" height="1356" width_o="595" height_o="1356" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/8d7d31a5026ae43d252da42e1a0b3b65f4cf409e57f73c9babfff379a18fc02f/3_bart.jpeg" data-mid="1435960" border="0" /&#62;&#60;img width="506" height="1151" width_o="506" height_o="1151" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/42897a104704e70ada2150a189ec6cea01b573ace2a5f5e10bd04e101200a2ec/4_bart.jpeg" data-mid="1435959" border="0" /&#62;&#60;img width="477" height="1093" width_o="477" height_o="1093" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f8b3fa1af397045209eef50dc647aad571ad5b204e93a6057187d00a2bae3664/2_bart.jpeg" data-mid="1435962" border="0" /&#62;&#60;img width="477" height="1091" width_o="477" height_o="1091" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/023d6d3248a8bdaa61ac0c17d8f8e0d3a474be50f1484db36224f6089800b327/1_bart.jpeg" data-mid="1435961" border="0" /&#62;
A doutrina da floresta é como a história humana, antiquíssima, talvez até mais antiga doque ela. 
(Ernst Jünger)

À semelhança dos órgãos da planta que são folhas transformadas, como escreveu Goethe, as formas plásticas em metamorfose que Bartolomeu Gusmão nos propõe afastam-se da tentação de um desenho explicativo. Imponentes superfícies cromáticas em transição — que a densidade da linha e da cor vão na tela modulando — configuram o espaço. A espessura da natureza, tomando como sujeito o corpo vivo, liberta organismos e potencia energias que viajam através da matéria. Irradiando frio e calor, são a Lua e o Sol, a Primavera e o Verão que nos conduzem às memórias de um certo primitivismo.

 
O gato observa-nos, distante e imóvel. O apelo táctil. A espera. Imaginamos que nesse fim de tarde e no espaço que traça a ínfima curva, o animal se transmuta num esboço do repouso. O que verá ele de olhos abertos? Que mundo o afecta? Figuras interrompem a vegetação e celebram a luz, lugares repetem-se nas existências sem angústia, sem fisicalidade espectacular. Mostram-se na sua insignificância, quase despercebidos. Não são extravagantes nem dominados por códigos que incitam à culpa ou à falta, a operações terapêuticas ou à autocomplacência — a arte deve ser compreendida como uma acção dentro da própria vida, disse John Cage. As formas da interioridade que se diluem na res extensa, uma e a mesma coisa na paisagem. O direito a ser o que se é:

 Nós somos 50 poemas
o resto não somos nós mas o nada que nos veste (Antonin Artaud)

 
Quando copio da natureza um elemento do meu quadro, é aquele que não está lá — afirmou Degas. De igual modo, nas pinturas de Gusmão, é esse teatro das pulsões que não exprime o sexo-desejo mas sim os corpos e prazeres sem axiomas totalizantes. É ainda entre o desenho e a&#38;nbsp;pintura que estas representações se inscrevem na memória de uma hierarquia das artes que, porém, não deixa de ocultar uma certa acção subversiva — a pura experiência do gesto.&#38;nbsp;Operando a ligação à natureza— a nossa casa— e mobilizando outras relações de vizinhança que a história esqueceu, o território de experimentação converte-se em paisagens insólitas através das quais vestígios de gloriosos mistérios da harmonia se adensam. Árvores que têm a força necessária para voltarem a partir. Só o tempo mudou. 
 

Nestes lugares de aliança, a partir dos quais podemos escutar vozes comuns, onde descobrimos a terra e o fogo, as plantas, o ar e a água, é a mesma superfície que nos aproxima. Nas palavras de Michel Serres — impondo-se ao nosso esquecimento e à nossa ingratidão, a Biogeo faz-nos por sua vez esquecer as nossas mil redes de separação. Assim é com as obras que potenciam o espaço expositivo que, sem mistificar, ainda nos permitem tomar partido e ensaiar um universo sempre em aberto que a radicalidade substancial da pintura convoca. Abundância e materialidade transbordante figuram nesta incorporada alegria dos sentidos, na hospitalidade da tensão interna da origem. 


Um coqueiro permanece silencioso na atmosfera rasgada por manchas luminosas que não falam de pecado ou salvação. Apenas o intenso saber fazer pictórico que se oferece na opacidade singular da representação. A vida secreta do mundo. 

Eduarda NevesA autora escreve segundo a antiga ortografia
esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<title>THESPACEINYOURHEAD</title>
				
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 15:39:41 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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THESPACEINYOURHEAD&#60;img width="774" height="507" width_o="774" height_o="507" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/e84188ef8a68d8e66c99315477e226d7f6cdfc537aa195bdf1b651ef3ef8fa3f/imagem.png" data-mid="1435957" border="0" /&#62;Image: Sérgio Leitão


The programmatic proposal — TheSpaceInYourHead&#38;nbsp;— takes as a reference Harald Szeemann’s exhibition Live in Your Head: When Attitudes Become Form (Works – Concepts – Processes – Situations – Information).

The multiplicity of artists from different territories who are part of this proposal, use in their practices a range of media through which they problematize contemporary times in their hybrid dimensions. Establishing relationships of complementarity and/or divergence among themselves, in this program and in each exhibition, we will seek, first and foremost, subtle exchanges between works, artists and spaces.

TheSpaceInYourHead will explore the physical and spatial characteristics of DÍNAMO which, at this moment, benefits from the circumstance of maintaining an area still in the construction phase and, therefore, open to multiple and untimely possibilities of artistic intervention that will be aimed at in situ practice — fostering the dialogue of the works with a singular space but also with the history of that place, the architecture, the landscape, the people. The fact that DÍNAMO is part of an art school, with its distinct and even unexpected spaces, with a strong scenographic potential, reinforces the dominant premise of this program. Considering the expansion of the projects to the spaces surrounding DÍNAMO (thus extending it), each work is developed departing from the space in which it is located and for which it was designed, giving it not only a transformative character but granting another dimension to the place. Reaction is not intended, but rather disturbance. Refusing a single solution to a problem, there will be as many possibilities stated as there will be divergent practices. A certain instability will be a necessary condition. However, it will be the experience of the process and TheSpaceInYourHead that determines the intention.

The exhibition projects will be linked to a public program that will include guided visits to exhibitions, conferences, talks between artists, curators and theorists from different areas.

This project is supported by the municipal program for Programming Spaces.

+Info: TheSpaceInYourHead DÍNAMO – Pláka (porto.pt)



Link

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact THESPACEINYOURHEADImage: Sérgio Leitão   The programmatic...</excerpt>

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		<title>Coisas Que Habitamos</title>
				
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 14:07:28 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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coisas que habitamos, coisas que deliram
Pouco depois, desencadeou-se a loucura do mundo.


Maurice Blanchot — A Loucura do dia. Lisboa: Edições Sr. Teste, 2020, p. 8.
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Janeiro 2025

Apenas o silêncio onde tudo se reúne. A ilusão e a fantasia convocam a memória e a paixão dos detalhes. As coisas desdobram-se em modos indeterminados — sem fronteiras entre interior e exterior, particular e universal, matéria e espírito, objectos e ideias. Molduras e espelhos afectam-se e contradizem-se — sem limitações. Linhas e cabelos. O esplendor do nós ou a quarta pessoa deleuziana que nesta exposição desperta. Entre a madeira e o vidro, o metal e o tecido, o papel e a linguagem, cada coisa torna-se uma multidão que ora nos atrai ora nos afasta. Suspensas em fios de seda, cabelo e algodão, na forma de alfinetes ou bastidores de madeira, as coisas densas e claras, opacas e transparentes, mostram-se como restos que se oferecem na sua finitude — o que é uma coisa? perguntou Heidegger. Como dizê-la? Procuramos o que os outros não querem saber. Persistimos no tempo e no que existe. 

Pés e mãos, sapatos e luvas, guarda-jóias, travessões e ganchos, perucas, bonecas e espelhos — naturezas vivas que nos são dadas através da relação necessária que entre o esquecimento e o horizonte do prazer se instaura. Presenças usadas figuram na disposição soberana de histórias cuja anatomia se imobiliza no mistério das circunstâncias. &#38;nbsp;No reino das coisas, é a invisibilidade dos corpos que sugere a teatralidade e a torna luminosa no espaço, evoca as formas e imagens que, na sua matéria, se abre à superfície, ao afastamento, à consistência ou à fragilidade. O olhar aproxima-se e distancia-se, rasga-se na intenção ou no acidente. Olhar de lado como quem está condenado a fugir de uma poética do toque. Uma qualquer extensão imaginária das máquinas de cena é o que as coisas parecem incorporar — a aventura de, ao contrário do Eclesiastes,&#38;nbsp;&#38;nbsp;&#38;nbsp;correr atrás do vento. 

A prática artística, tornada arte do fantasma e do real, assegura a materialidade e os sentidos, os corpos ausentes e presentes, a finitude na pobreza das coisas. Neste modo de ser das existências, nas quais a radical imperfeição consagra a grande saúde nietzschiana, acompanhamo-nos a nós próprios e encontramos a possibilidade de habitar o vasto cosmos. Nas palavras de Joseph Brodsky — um objecto é o que torna íntimo o infinito. Habitar abertamente os delírios e perturbar os nomes que imobilizam as coisas é o que uma exposição ainda pode cumprir.



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*a autora escreve segundo a antiga ortografia


esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact coisas que habitamos, coisas que deliram Pouco depois,...</excerpt>

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		<title>Flight Attempts</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Flight-Attempts</link>

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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 13:53:32 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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Tentativas de Vooo canto, a leveza, a cegueira&#60;img width="1234" height="874" width_o="1234" height_o="874" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f0fbd199670ab29a6bf770c228d0c9d8fbca8a467b7c8f6772ffa17866021bcb/back.jpg" data-mid="1431891" border="0" data-scale="79"/&#62;

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O programa TENTATIVAS DE VOO—o canto, a leveza, a cegueira, é constituído por seis exposições em espaços internacionais e um projecto editorial que inclui textos críticos, ensaios visuais e registos das várias exposições. &#38;nbsp;As propostas expositivas que configuram o programa curatorial, diferentes em cada um dos espaços de apresentação, articulam vídeo, instalação, desenho, objectos e som. O voo não terá direcção. Apenas espaço indistinto. Sem alicerces.  
Curadoria — Eduarda Neves



	A história da arte está atravessada por imagens do voo. A prática normalizada e comprometida do voo, sem dissonância ou sobressalto, é como o corpus sem corpo, a língua sem desordem. O voo é uma fábula. Arrebatamento que desloca os lugares, os ventos, as distâncias e a proximidade, sem função ou ligação operatória, sem o Déspota real ou o Deus imaginário — o encontro com Félix Guattari. Poucas foram as mulheres que pintaram pássaros. Diz-se que não era possível sair de casa durante um longo período de tempo ou, então, talvez voar ainda fosse um atrevimento do desejo.“Resta o azul dos rios e, por vezes, o do céu. Resta também a chuva. E as árvores.”—Marguerite Duras
 

	

Ícaro sai do labirinto e aproxima-se do Sol. A liberdade não mata. As asas não se desfazem. Reinventam-se. Vários foram os artistas que tentaram voar. O voo é uma condição trágica da arte. Nietzschianamente, afirma-se como um princípio do futuro. Bailarino-Zaratustra. Voar é excitante e desejante. &#38;nbsp;Estimulante. Tentativo di Volo, (1969) é uma obra do artista italiano Gino de Dominicis e constitui uma referência deste projecto curatorial. A repetição do fracasso não impede o artista de continuar. Ouvimos em voz off: “Há três anos que repito este mesmo exercício. Provavelmente nunca aprenderei a voar, mas se fizer o meu filho praticar isto, e os filhos dos meus filhos, então talvez um dos meus descendentes descubra como voar”. Repetimos os acidentes e tropeçamos nas muralhas que nos impedem de escutar distintos batimentos. Que outro enunciado poderíamos escolher para a condição da arte hoje? “Cegam-se aves para cantarem melhor; não creio que actualmente os homens cantem melhor do que os seus antepassados, mas sei que os cegam muito cedo; mas o meio, o meio infame de que se servem para os cegar, é o uso de uma luz demasiado crua, excessivamente repentina e instável.”— Friedrich Nietzsche

Gostaria de pintar a maneira como um pássaro canta — terá dito Monet. Um voo derivado, lateral, que quebre todas as direcções e as coloque umas contra as outras, sem orientação. Sobrevoar o tempo — é o que procuramos nas exposições. Obras que em cada espaço nos apresentam diferentes sonoridades, múltiplas levezas, alegres cegueiras que não servem a ninguém. Coisas frágeis, sem modelo e sem estilo. Sem verdade. Sem o ar do tempo. Deslocalizadas. Outras forças solares nos movem. As obsessões de cada artista bastam-nos. Já são muito. São tudo. Mais que máquina desejante, o voo transfigura-se em máquina delirante. Contra o peso de Medusa, a leveza de um cavalo alado. Pégaso, nascido de uma paixão impossível, é recompensado por Zeus e transformado numa constelação. No céu azul grava-se a natureza do mundo.“Pássaros vi-os com o meu olhar perfurante voar tão alto, tão longe, que pareciam em descanso, mas um instante depois apareciam à minha volta, alguns corvos foram responsáveis por isso.”—Samuel Beckett
 

	Louise Lawler — Birdcalls. A nossa vida continua a erguer-se como um pássaro que foge da agonia perante a imagem de um caçador. Assim se voa.

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact   Tentativas de Vooo canto, a leveza, a cegueira  WEBSITE...</excerpt>

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		<title>Coup d´oeil</title>
				
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 12:33:51 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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		<description>Eduarda
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Coup d´oeil
Exposição de Mariana Gomeshttps://www.galeriapedrooliveira.com/press/mariana_gomes_2025.htm

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o melhor é não olhar
(Samuel Beckett)
	Que em todos os lugares nos perdemos já o sabiam Vladimir e Estragon. Sempre à espera que tudo acabe. O limite do tempo. Adiar o deserto. No começo, somente cinzas. Ou o riso. Podia ser Rubens ou Goya mas é a sátira convocada pela gravura de Hogarth — Time Smoking a Picture — que se adivinha no programa crítico de&#38;nbsp;Mariana Gomes. Sentado numa estátua destruída e rodeado&#38;nbsp;de&#38;nbsp;fragmentos espalhados pelo chão, Saturno fuma calmamente um cachimbo. Uma foice perfura a tela — já Cronos, como um ceifeiro,&#38;nbsp;de&#38;nbsp;lâmina afiada, cortara os genitais ao seu próprio pai. No cimo da moldura podemos ler que o tempo não é um grande artista, mas enfraquece tudo aquilo em que toca. O tempo que devora o tempo, a arte que devora a arte, o tempo da finitude. Que outro poderia ser? O que fazer com a pintura? Comecemos pelas Musas, escreveu Hesíodo. Cronos e Saturno. Grécia e Roma. As histórias são como as imagens, construídas para nos entregarmos aosoutros, acontecimentos que estão fora do tempo e o atravessam:

	
	O devir-louco da profundidade é pois um mau Cronos que se opõe ao presente vivo do bom Cronos. Saturno ruge no fundo de Zeus. [...] O passado e o futuro como forças desencadeadas vingam-se num só e mesmo abismo que ameaça o presente e tudo o que existe. [...] A desforra do futuro e do passado sobre o presente, Cronos deve ainda exprimi-la em termos de presente, os únicos termos que ele compreende e que o afetam. É a sua maneira própria de&#38;nbsp;querer morrer.11—Gilles Deleuze — Lógica do Sentido. 
São Paulo: Editora Perspectiva, 1998, p. 169.


	A pintura táctil da artista, uma arte da superfície — como escreveu Deleuze sobre Bacon — aceita sem reservas o imperioso direito de&#38;nbsp;passagem entre o humor e a linguagem popular, o banal e o sentido. O espaço pictórico, abrigando tanto a sombra como a voluptuosidade da cor, faz existir o que o percorre. Afirma-se como materialidade. Distante&#38;nbsp;de&#38;nbsp;taxinomias representativas, da procura&#38;nbsp;de&#38;nbsp;uma qualquer virtude das evidências ou da hierarquia entre forma e conteúdo, discurso e figura, é a desordem que a efabulação convoca. A abstracção e a figuração nunca deixaram&#38;nbsp;de&#38;nbsp;ser o mesmo cadáver para múltiplos segredos e recomeçadas experiências que potenciam efeitos&#38;nbsp;de&#38;nbsp;deslocação da realidade. Na obra&#38;nbsp;de&#38;nbsp;Mariana Gomes, sem paisagens antecipadas e objectos previstos, trata-se, à maneira beckettiana, do fracasso&#38;nbsp;de&#38;nbsp;pintar, à semelhança do fracasso&#38;nbsp;de&#38;nbsp;nomear — um gesto fora do quadro. Tudo o que é visível organiza-se em função das margens, escreveu Matisse. A tela é a pele&#38;nbsp;de&#38;nbsp;um corpo percorrido por dobras que, no espaço, se abrem aos acontecimentos do mundo — um corpo comum no qual o desejo se identifica com a pintura e através dela existe. Uma alquimia&#38;nbsp;de&#38;nbsp;tintas fluidas ou em camadas entrega-se a uma poética que, não procurando qualquer reconciliação ou harmonia, explode no fogo da miragem. Nesta aventura, a imaginação constitui-se como arma prodigiosa que não obedece à mistificação da “arte pela arte”, antes procura a necessidade do êxtase que se tece entre linhas e manchas. Um olhar que ultrapassa a forma da mera interioridade. Trata-se, sobretudo, do confronto com o horizonte no qual se inscreve um singular desapego. Sem acções e narrativas explicativas é a indeterminação que, nestas obras, ainda se pode afirmar enquanto condição e território do acto&#38;nbsp;de&#38;nbsp;pintar. Entre o impossível e o necessário, a experimentação e a autonomia tornam-se o modus operandi da gestualidade e condição da sua hiper-realidade. Entre estratégias&#38;nbsp;de&#38;nbsp;paródia e apropriação, exprimem-se manifestações alheias a proposições sobre os fundamentos da pintura, ausência&#38;nbsp;dejustificações conceptuais sobre o lugar que esta ocupa no campo da arte ou até questionamentos em torno das suas condições&#38;nbsp;de&#38;nbsp;possibilidade. O branco é a diferença:

	
	O branco da tela, cor que já lá está, impensada uma vez que sempre coberta pela “cor”, é originalmente a proposta do trabalho. Não se trata de nada além do que tornar esse branco, essa cor significante-Cor a cobrir por uma outra cor para marcar, a partir do exterior, o interior dessa diferença que a torna diferença.22—Louis Cane — “O pintor sem modelo, nota prática sobre uma pintura”, in Glória Ferreira e Cecília Cotrim (orgs.) — Escritos de Artistas. Rio de&#38;nbsp;Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, p. 295.



	O que esta exposição nos oferece, como nas Saturnais romanas, é celebração e festa, sagrado e alegria trágica, vertigem e excesso. É o compromisso da libertação e da cor que se torna enunciado, pathos e impulso, causa e efeito — a Idade de&#38;nbsp;Ouro. A densidade física que as imagens propõem evoca a soberania&#38;nbsp;de&#38;nbsp;um combate no qual a comédia humana nos define e nos salva. Por aqui não encontramos a teleologia da boa consciência. O que pode ser o tempo quando não esperamos nada dele?



Eduarda Neves*a autora escreve de acordo com a antiga ortografia
	esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
	

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		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact    Coup d´oeil Exposição de Mariana...</excerpt>

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		<title>o silêncio, a eternidade</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/o-silencio-a-eternidade</link>

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		<pubDate>Thu, 13 Mar 2025 19:32:03 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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o silêncio, a eternidade
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Corpos que são espaço. Corpos que ocupam o espaço num certo grau correspondente às singularidades que produzem — apenas imanência sem a produção da identidade entre significado e significante, sem lugar para o regime de sentido do realismo. A paixão pelo real a inventar é atravessada por segmentos enunciativos que, na forma de corpos, mutuamente se fundem e transfiguram, se lançam na aventura que faz explodir a máquina lógica da representação normalizada. Desmaterializado e reinterpretado, o corpo gera mutações subjectivas, multiplicidades indeterminadas, passagens e fracassos. Um campo magnético expande-se numa certa poética da melancolia configurada na imagem de duas mulheres que se vão transformando através da IA —Espaço Denso Não Ilimitado (EDNI), nas palavras de João Martinho Moura. Uma espécie de autopoiesis na sua dimensão mais íntima produz uma rede através da qual a simultaneidade mobiliza regularidades em sucessivos desdobramentos. Corpos que são temporalidade e alianças: “o tempo não refaz o que perdemos; a eternidade guarda-o para a glória e também para o fogo.”11 Jorge Luís Borges — O Aleph. Lisboa: Editorial Estampa, Colecção Ficções, nº 7, 1988, p. 41.

Bifurcações da finitude e da memória que nos projectam tanto nos retratos suaves e desfocados de mulheres fotografadas por Julia Margaret Cameron como em rostos contemporâneos que evocam uma aparente e perturbadora imobilidade enquanto condição crítica da mulher na actualidade. Somos convidados a repensar os conceitos de profundidade e superfície. Nas palavras de Gilles Deleuze, “dir-se-ia que a antiga profundidade se desdobrou na superfície, converteu-se em largura.”2 Submergidos na plasticidade da relação claro-escuro que a cena nos oferece, os corpos deslizam no espaço físico e ficcionado, à descoberta de si mesmos — nada a comunicar. É nessa profundidade da grande dimensão, na margem ou na fronteira da superfície, que as imagens se prolongam na horizontalidade da largura. Apenas improbabilidades que se operam.
2 Gilles Deleuze — Lógica do Sentido. São Paulo: Editora Perspectiva, 1998, p. 10.

 
À semelhança de um estado que antecede a linguagem, o espaço cénico garante a espectralidade do não semelhante e a indiscernibilidade que figura na imagem e na luz, na matéria e na carne. A substância e a epiderme, o som como instrumento de afecção. Sem classificações individualizantes, EDNI, de Né Barros, propõe-se como universo de lutas que se alteram e deslocam, se inventam. Através delas a tensão consagra a soberania de uma ética: artística e íntima. Sem ordem linear — passado, presente, futuro — o corpo abre-se à falha e ao limite, à potência de desejar: a transindividualidade que o arrasta no seu próprio movimento e processo. O mais temível e o mais grandioso. O heterogéneo que não permite negociação, o intratável, para falar como Patrice Loraux. Ultrapassar o interior do dispositivo a partir do qual o poder se exerce, impedir que as múltiplas relações de sujeição se fixem e consagrem. 



De forma alternada, as narrativas visuais de EDNI resistem a enunciados dominantes e transportam consigo mapas particulares que nos arrastam para atmosferas próximas da beleza do voo e da extensão de linhas imaginárias. Não é apenas o movimento que encontra a arte, é o sentido que convoca o inaudível, a possibilidade da transgressão que se faz anunciar. Inundada de luz, a escuridão abre o caminho do gesto. É este que, projectando radicalmente a complexidade da escolha, se torna corpo e dissolve na escultura que glorifica o tableau vivant.&#38;nbsp;
	
	Uma performer, tal como a força e a gravidade, mantém fixo o eixo do pêndulo. As mulheres e as imagens. Velocidades.3 Marguerite Duras — A Vida Material. Lisboa: Difel, 1994, p. 54.

 


A liberdade sob o olhar de um cavalo: 
“Portanto, antigamente era assim. Antigamente, esteja eu onde estiver, seja qual for o século na história do mundo, vejo a mulher numa situação limite, insuportável, dançando sobre um fio por cima da morte.”3



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*a autora escreve segundo a antiga ortografia


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		<title>Bem-vindos ao que acreditam ver</title>
				
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		<pubDate>Thu, 13 Mar 2025 13:38:26 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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Bem-vindos ao que acreditam verRecuperar na terra os tesouros que se tinham dilapidado nos céus. 1


&#60;img width="1120" height="748" width_o="1120" height_o="748" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/570db1fa0af86ece9ea0d83d27ded6a7ec5622d15e43efa80c62285df371078f/5.jpg" data-mid="1400233" border="0" data-scale="80"/&#62;&#60;img width="1120" height="748" width_o="1120" height_o="748" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/cac38c4f6364cf5d41e40e3063ba5301a91ab0c2ab215069dc4ce1059790ab51/2.jpg" data-mid="1400234" border="0" data-scale="80"/&#62;&#60;img width="1120" height="748" width_o="1120" height_o="748" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/492c66cc847967bb013eee5a0d6e7bea2f106bb7725cf016c2783667215210c9/3.jpg" data-mid="1400235" border="0" data-scale="80"/&#62;&#60;img width="1120" height="748" width_o="1120" height_o="748" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/3d16f228b5d76a3656e8d8630f2d1bf02daaf6a650d48c39ae93921f293e352c/1.jpg" data-mid="1400236" border="0" data-scale="80"/&#62;&#60;img width="1120" height="748" width_o="1120" height_o="748" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/67e0bfa8f224aeb74603092e566e464d263a2b8d9a278787a6a37a2f4a428a0f/4.jpg" data-mid="1400237" border="0" data-scale="80"/&#62;


Um corpo errante transfigurado na palavra, no som e na voz, mergulha num dispositivo cénico que dramatúrgica e brechtianamente se desnuda. A força da máquina da imobilidade dissimula-se na evocação de uma inquietude. A multiplicidade dos sentidos inscreve-se numa espécie de alquimia que se abre à organização simbólica da temporalidade diacrónica e sincrónica— Dante Alighieri e nós. Imagem e memória. Uma qualquer forma de esquecimento. Desdobramento de cenas no espaço cénico. Sublimação da energia. Entre a lentidão do silêncio no olhar e o peso da carne, é o jogo entre a obscuridade e a luz que se manifesta na arquitectura do detalhe e no gesto em desequilíbrio. Nenhum lugar para a espectacularização do corpo, apenas a matéria que ele possibilita enquanto superfície de exteriorização do trabalho interpretativo. Operando na abundância de um conjunto de objectos, é um campo de ligação, choque e ruído que nos é permitido experienciar. Em deriva.


	1 Michel Foucault — O pensamento do exterior. São Paulo: Editora Princípio, 1990, p. 22.
	É assim que em Icona,2 de Silvana Ivaldi, o singular compromisso entre a tecnologia e a libertação de um qualquer aprisionamento ao texto original dialoga com a plasticidade da voz e do gesto, a reminiscência das evocações artaudianas&#38;nbsp;ou até a fugaz sombra de Kleist e a elipse como trajecto próprio da marionete.&#38;nbsp;Nesta obra, na qual os anjos têm asas capazes de se movimentarem entre a catástrofe e a pulsão, a aventura do paraíso surpreende-nos no espanto que nasce de uma máquina que produz algodão doce e convoca nuvens que fragmentam a unidade de um qualquer deus ex-machina. Nada a representar, nada a descrever. A verdade é apenas ritualização e repetição do tempo primordial que o corpo integra na viagem ao mundo dos mortos. Entre gritos brutos e saturados, é nesse refazer da experiência que o acto artístico igualmente abandona a subordinação ao neoplatonismo que privilegia o uno em relação ao múltiplo. Comungando o modo de um excesso, escavando passagens e mediações, é a distância da mimese e da catarse que nos é oferecida como partilha. Não há equilíbrio das paixões nem emoções para aliviar. O que Icona tem para nos conceder é a grandiosidade da transcendência na forma da mais pura das imanências. Dante e Beatriz em contínua mudança — não existe um “eu” nem afirmação da eternidade mas somente contingência e heterogeneidade.
2 Icona, dedicado ao Paraíso, constitui o terceiro e último momento de um projecto no âmbito do qual Silvana Ivaldi se apropria livremente do universo da Divina Comédia de Dante Alighieri. Assim, na sinopse de Paraíso (criada pela artista como uma assemblage a partir de textos de Valentina Tanni, Alice Scornajenghi, Santa Teresa d’Ávila, Frontisi-Ducroux, Claire Bishop, Oriana Fallacci, Pier Paulo Pasolini, Chris Kraus, Pagu, Lous Andreas-Salomé, Marina Tsvetaeva, Jennifer Doyle, Eduarda Neves, Silvana Ivaldi e Rui Lopes), já antevemos a complexidade da abordagem que o espectáculo propõe. Os momentos anteriores, Dolce Still Nuovo [2020] e Haze Gaze [2022], foram construídos, respectivamente, a partir dos capítulos Inferno e Purgatório.

 

Ritmos da longa duração iconográfica que tanto animais como a natureza, aves e água, conferem ao paraíso: um modo imaginário, nunca demasiadamente. Argumentou Klossowski que a licenciosidade, o deboche e o erotismo não deixaram de encontrar as suas referências nos mitos, nas reflexões teológicas e na vida religiosa. Figuras da epifania que se inscrevem no combate inesgotável do nosso universo cultural e que continuam a estar presentes nas construções mentais. É o corpo teatralizado, intolerável e intolerado, que se desloca entre o jogo de alianças, oposições, intensidades afectivas e que está condenado à luta infinita. Linguagem e epiderme, selvajaria ontológica. Levantam-se os braços para brindar à finitude irremediavelmente atraída pelo destino sem protecção. A transgressão amorosa como movimento cósmico que este objecto artístico instaura, constitui-se como discurso marginal, barthesiano:



	
	(...) O meu pensamento profundo sobre o sujeito apaixonado é o de que ele é um marginal. (...) Neste momento, ao sujeito apaixonado só resta separar-se do discurso analítico na medida em que este fala, é certo, do sentimento amoroso, mas de uma forma, finalmente, sempre depreciativa, convidando o sujeito a reintegrar uma certa normalidade (...)3
3 Roland Barthes — O Grão da Voz. Lisboa: Edições 70, 1982, p. 279.

Repitam comigo: o paraíso é, no fim de contas, um motivo poético. Repitam comigo: em Ícona o paraíso é, no fim de contas, a vagabundagem do corpo e Beatriz a fundadora da inversão de todos os valores. Cumplicidades enganadoras de mise-en-scène — insubmissão e redenção, sem drama metafísico. Monotonia da lei violada na sua incansável solicitude. Afastados os guardiães, a resignação e o castigo, é a profundidade do desejo que impera. Beatriz em devir: “O olhar de repente alterado, falso, preso no mal, na morte. (...) Digo-lhe que venha, que deve possuir-me de novo. &#38;nbsp;Ele vem. (...) Digo-lhe este desejo dele.”4
4 Marguerite Duras — O Amante. &#38;nbsp;Lisboa: Editora Difel, 1984, p. 39.
Press ‘X’ to enter paradise, lemos em repetidas e sucessivas projecções videográficas de Icona. Três écrans. A Trindade. Ainda Primum Mobile, onde habitam os anjos. O peso e a leveza. As esferas do paraíso e os limites da teologia, um mapa da superação. Incomunicabilidade entre personagens similares. Beatriz guia Dante. A libertação, o ensinamento e o mistério. &#38;nbsp;‘X’ é a password e uma efabulação. 

O paraíso é como em água profunda um corpo grave. Na visão do céu e na figura do escritor, retomamos as palavras de William Forsythe em Artifact — bem-vindos ao que acreditam ver. 




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*a autora escreve segundo a antiga ortografia


esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<title>The Places, The Spaces, The Irruptions</title>
				
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		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 09:29:24 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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 Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact



The Places, The Spaces, The IrruptionsOs Lugares, Os Espaços, As Irrupções

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artists artistas
Anne Commet &#124; Deborah Fischer &#124; Emmanuelle Ducrocq &#124; Florent Bonzon &#124; Lev Ilizirov &#124; Matisse Mensil &#124; Rotem Gerstel &#124; Thibault Lucas

 Dínamo Gallery
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	Space swirls in the light the volcano stirs. Half-open and suspended in the darkness ofthe fall. Birds, in vertigo, tear away the horizon. Speed raises the shadow. Ups anddowns carve paths. They come together in deserts where the wind flies through. Thehorizon continues the adventure intertwined with mystery. The exit is the closestmoment, the one that hits us like a teeming place. Spaces open up marks that unfoldstones and sounds, drawing secrets in all languages.
The approaching of time matters little if life remains in the contaminated noise thatpropagates as it advances. The fear of anger, of action, of the world. The fear ofeverything in one single night. Space crossed by abysses travelling in air bubbles.Tomorrow we will invent another place. The next day will be unforgettable, again andagain. In the realm of images — career, success, failure. Irruptions — In girum imusnocte et consumimur igni. Neither model nor anguish. Just the moment in which anextreme turmoil invades the cave: “there is also a lot of grass over there, a lot of well-behaved greenery. Around mental misery and around financial power. There, wherespirit is lacking. There, also, where money abounds, there are lawns.” (Christian Bobin)
No espaço celeste chovem partículas que mantêm a travessia encantada do universo.O céu infinito ocupa o lugar da extravagância. Os acontecimentos jogam-se naobscuridade do acaso. Abandonados. No fundo do pensamento, a natureza das coisas.Como descrevê-la? Uma ideia e uma coisa. Uma ideia que é coisa. A multidão perfura acabeça e instala-se. Anda às voltas no espaço curto que paralisa a intensidade.Murmura. Imóvel no beco sem saída.O espaço rodopia na luz que o vulcão agita. Entreaberto e suspenso nas trevas daqueda. Os pássaros, em vertigem, arrancam o horizonte. A velocidade eleva a sombra.Subidas e descidas escavam caminhos. Juntam-se em desertos que o vento percorre. Ohorizonte continua a aventura que se confunde com o mistério. A saída é o instantemais próximo, aquele que nos atinge como um fervilhante lugar. Espaços abremmarcas que libertam as pedras e os sons, desenham segredos em todas as línguas.
Pouco importa a aproximação do tempo se a vida permanece no ruído contaminadoque se propaga enquanto avança. O medo da raiva, da acção, do mundo. O medo detudo numa só noite. O espaço atravessado por abismos que viajam em bolhas de ar.Amanhã inventaremos outro lugar. O dia seguinte será repetidamente inesquecível.No reino das imagens — a carreira, o sucesso, o fracasso. Irrupções — In girum imusnocte et consumimur igni. Sem modelo e sem angústia. Apenas o momento no qual umextremo sobressalto invade a caverna: “ali também há muita relva, uma grandequantidade de verde bem-comportado. Em volta da miséria mental e em volta dopoder financeiro. Ali onde o espírito falta, como também ali onde o dinheirosobreabunda, há relvados.” (Christian Bobin)
No espaço celeste chovem partículas que mantêm a travessia encantada do universo.O céu infinito ocupa o lugar da extravagância. Os acontecimentos jogam-se naobscuridade do acaso. Abandonados. No fundo do pensamento, a natureza das coisas.Como descrevê-la? Uma ideia e uma coisa. Uma ideia que é coisa. A multidão perfura acabeça e instala-se. Às voltas no espaço curto que paralisa a intensidade. Murmura.Imóvel no beco sem saída.

	Eduarda Neves



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		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact    The Places, The Spaces, The IrruptionsOs Lugares, Os...</excerpt>

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		<title>La beauté sera convulsive ou ne sera pas</title>
				
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		<pubDate>Sat, 16 Mar 2024 15:09:35 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
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 Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact


La beauté sera convulsive 
ou ne sera pas&#60;img width="2016" height="1344" width_o="2016" height_o="1344" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/556ccfd8c742ee7bf435a21e4fabd3c0720133067b81dbf6671973affb180531/O34A0113.jpg" data-mid="1354845" border="0" /&#62;&#60;img width="2016" height="1344" width_o="2016" height_o="1344" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/298f0902f1070633ecd4bfbe89eaa4a4c95d4fd27c0f64a1549ba090d7249f3d/O34A0129.jpg" data-mid="1354838" border="0" /&#62;&#60;img width="2016" height="1344" width_o="2016" height_o="1344" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/43977c88b6d5bec5930d9ac62245cee8944440902d19c9e6002ac763a598b37d/O34A0131.jpg" data-mid="1354841" border="0" /&#62;&#60;img width="2016" height="1344" width_o="2016" height_o="1344" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/662565e3c990f635017bb9e1ba38ae350ca02721ca7d6a14596d98b64d9b7748/O34A0140.jpg" data-mid="1354840" border="0" /&#62;&#60;img width="2016" height="1344" width_o="2016" height_o="1344" 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inauguração 07.07.2023exposição aberta ao público entre 07.07. e 10.09.2023 de SetembroFÓRUM ARTE BRAGA
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&#38;lt; Há exposições que incorporam o deslumbramento, a incerteza, o interdito e a liberdade. Como Nadja, aproximam-nos de um campo magnético. Transformam-se, afastam-se, atraem e operam como linhas de força. São potência e fluxo. Convocam lugares nos quais impera um certo delírio silencioso. Cerimónias de feiticeiras, objectos encantados, árvores que percorrem o ar, monstros marinhos. Uma dança. Foi Gabriel Orozco que escreveu: “a verdadeira questão é: o que é um espaço?” &#38;gt;“O Idiota que grita e torce os ombros para escapar ao nada que o aprisiona — é o nascimento do primeiro homem e o seu primeiro movimento na direcção da liberdade, ou o último sobressalto do moribundo?” (Michel Foucault)&#38;lt; Entre as obras e a história presente ocorrem filiações imaginadas. Nadja — o espaço vazioque desafia o excesso e uma certa poética da escolha. Sem as fórmulas da harmonia, unidade, interioridade, assinatura. Apenas a fragilidade do espanto.&#38;gt;“Sempre vivi como se não tivesse nenhuma possibilidade de me aproximar de um modelo qualquer da existência.”(Marguerite Duras)&#38;lt; Há exposições que são uma intenção de vida ou uma alma errante como a de Nadja. Sem limite nem compromisso. Enlouquecidas. Através delas experimentamos a subversão da longa monotonia e a leveza das clareiras que nos mostram a inesgotável combinação entre plantas, pedras e animais. Outras figuras reclamam o sonho. A noite assinala a mais profunda alegria que o dia esconde em segredo. &#38;gt;&#38;lt; Deambular pela beleza. Sem alicerces. Em desvios. Sem epígrafes. A possibilidade de cada um sair do abrigo e &#38;nbsp;alcançar todas as encruzilhadas do mundo. Uma máquina imortal. &#38;gt;&#38;lt; Platão e Aristóteles.Séculos que nos contam o poder do fogo e do frio, dos livros e do prazer. A arte torna-se as formas do seu esquecimento. &#38;nbsp;As sombras &#38;nbsp;do tempo. Uma espada e um labirinto. O rumor e o desejo. &#38;gt;“Vi o universo e vi os íntimos desígnios do universo.(...) Vi o deus sem rosto que há por trás dos deuses.”(Jorge Luís Borges)&#38;lt; Nadja. Uma obra escrita em 1928, revista e reeditada em 1963 — para melhorar um pouco a forma, como afirmou André Breton. Também perguntou: “quem sou?” e mais ainda: “Nadja, quem é você?” A vida não coincide com a escrita. Como na suspensão do beija-flor, a verdade anda para a frente e para trás. Um turbilhão em forma de hélice e de velozes batimentos. Convulsivamente procura a beleza. &#38;gt;&#38;lt; "O essencial reside nisto: não penso que para Nadja haja uma extrema diferença entre o interior e o exterior de um manicómio. Uma diferença existe, apesar de tudo, por causa do ruído incómodo de uma chave a dar a volta numa fechadura, da miserável vista do jardim, da sobranceria da gente que vos interroga quando nem sequer está à altura de vos engraxar os sapatos.(...) Só quem nunca entrou num manicómio não sabe que fazem lá os doidos, assim como nas casas de correcção fazem os bandidos." (André Breton) &#38;gt;&#38;lt;Imaginamos que ali, onde tudo começa, nos é oferecido o mistério das estações, o desatino dos corpos, a multidão cúmplice de uma estranha nave. Sobre Nadja, apenas sabemos que é um nome próprio na encruzilhada de infinitos caminhos. O baile que nasce. &#38;gt;


esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
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		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact   La beauté sera convulsive  ou ne sera pas PROJECT...</excerpt>

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