<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Eduarda Neves</title>
	<link>https://eduardaneves.pt</link>
	<description>Eduarda Neves</description>
	<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 15:46:16 +0000</pubDate>
	<generator>https://eduardaneves.pt</generator>
	<language>en</language>
	
		
	<item>
		<title>Passagens</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Passagens</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 15:46:16 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">460428</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
Passagens
THESPACEINYOURHEAD — Cláudia Lopes e Carla Cruz
 
&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/835a2745875d37e83c25ae70f7ea131e6b80c61d0cf6e8e21491f3f47d603a62/_AAF3404.jpg" data-mid="1447996" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c4f6c99392f44be72d37250369b0fe306340f5dbeef073e890e46b73b30976a1/_AAF3406.jpg" data-mid="1447997" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/92e48023cfdf5e2f0fe8e49436b816ab5da19511cce9a528481c19e5d7e1251b/_AAF3415.jpg" data-mid="1447999" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/bacf7185bc019025ce942fd2e6272dc9d6ac232cedf05970d4cb9778f5d327a5/_AAF3410.jpg" data-mid="1447998" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/b7e8674514b727d7b022287cab336823a5a0f6303d5363b043d3847b89e32b1c/_AAF3420.jpg" data-mid="1448000" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/4d0cfb13fe45ca5f6985f2f7a5de4fd5c5b08001b52e33889556883df2244356/_AAF3424.jpg" data-mid="1448001" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="998" width_o="1500" height_o="998" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c90bda57688ff8344b4c6ce2889d882dfbe84b70f0135d9a0cce8f35f8884402/_AAF3427.jpg" data-mid="1448002" border="0" /&#62;

Não conhecer o instante da passagem, a hora da mão vazia. 
(Christian Bobin)

O tempo passa e move-se através da luz na sua improdutividade exemplar. O tempo forma-se no barro. Procura as marcas de um território que se apresenta silenciosamente em repouso e anuncia camadas do mundo que surgem entre argila e pedras, água, linhas e texturas. A matéria não procura um novo léxico. Convoca o desejo infinito e partilha a economia da reciprocidade. Como um dom obscuro, é a vida do colectivo que se transfigura em potência amorosa e se objectiva no soberano lugar da obra. Sem acordo perfeito nem ordem imposta, os fragmentos que ocupam o espaço expositivo na sua melancólica nudez, fazem reaparecer os gestos eternamente deslocados, sabiamente errantes. É nas múltiplas camadas dos estratos que o vazio das mãos se afunda. 


Na sua falsa correspondência com o modelo, vestígios testemunham o prolongamento de miragens. Arrancam profecias à terra. Escreveu Mircea Eliade que o Ocidente experimenta algum incómodo perante diversas manifestações do sagrado — para alguns de nós é difícil aceitar que o sagrado pode manifestar-se em pedras ou árvores, por exemplo. Um combate pela sobrevivência cósmica. A repetição é sempre e em cada vez uma partida originária que conduz a outras tantas formas das imagens. Entre a mutação e o devir, fragmentos de enunciados e operadores da memória, é a interrogação genealógica que torna secundária a procura de qualquer verdade. São prodígios imperfeitos que acompanham os nossos vulneráveis templos.


Permanente impermanente — o corpo sem antes nem depois. Apenas o desconcerto de todo o estranhamento. 



Eduarda Neves
(a autora escreve segundo a antiga ortografia)

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact Passagens THESPACEINYOURHEAD — Cláudia Lopes e Carla Cruz   ...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>como na pintura um pouco de ceu</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/como-na-pintura-um-pouco-de-ceu</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 15:18:34 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">460427</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
como na pintura, um pouco de céuTexto escrito para a exposição "Diálogo Duplo" 
Museu Aurélia e Sofia de Souza


&#60;img width="399" height="501" width_o="399" height_o="501" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/6085b8034cabc0b1a328c69f8e5cbce679333accd8ebf6120b2879c562e80732/1-13.jpg" data-mid="1447988" border="0" data-scale="30"/&#62;&#60;img width="399" height="501" width_o="399" height_o="501" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/ed19ed0169974bf121f32b51789de60061233ad355e480a8a37b9d4c08378a31/2-15.jpg" data-mid="1447989" border="0" data-scale="30"/&#62;

Uma pessoa acha-se a si própria e não sabe o que fazer com isso. 
(Peter Sloterdijk)

A longa ordem da espera. Talvez aí nada exista de novo. O que parece mudar singularmente é a curiosa figura da entrada. Uma mulher com um chapéu na cabeça. Ou será um pássaro? A medida de todo o delírio. O avesso e uma combinação de sons comuns. O espaço doméstico fixa o sentido que estranhas composições anunciam. Histórias que permanecem — quadros, alfinetes, imagens de família e do quotidiano, paisagens, naturezas-mortas, flores, jarras, móveis, bules, chávenas, porcelanas, espelhos, bordados, rendas, aves, bonecas, livros, crianças. Cenas familiares. A mãe. A irmã. O rio. O Douro. Pinturas e fotografias. Retratos e auto-retratos. Experiências da subjectividade e de narrativas por acontecer — a vida e uma casa. Um museu invadido por discursos esquecidos. Não sabemos onde começam e acabam. É sempre uma derivação de trajectos que se instauram como desdobramentos. As aberturas constroem-se entre blocos que permanecem como refúgios solitários. Habitam a vertigem da coragem. Esperamos.

Viagens através de múltiplas geografias perdem-se na desordem da ficção. Objectos afundam-se em memórias destinadas a apagar traços do que quer permanecer secreto. Não há ninguém para abraçar. Ouvem-se passos lá fora. As vozes. Os pássaros pintados que cruzam os biombos e esvoaçam no papel de parede. As discretas janelas da casa eternizam o Verão. Ninguém carrega a agonia do esquecimento ou a exaustão do falso milagre do progresso. Tudo repousa no equivalente solar. Nunca compreendemos o que queremos ver ou o que nos aparece. As paredes da casa guardam a escuridão que oculta um universo povoado de corredores. Acreditamos que todos os pontos de vista os percorrem. Não sabemos o que dizem e se mudam de sentido — como Sexta-feira, de Michel Tournier: “era isto outrem: um possível que se obstina em passar por real”.1 Uma e outra vez o desconhecido de outros tempos. Outros mundos: “não um outrem, mas um outro do outrem. Não uma réplica, mas um Duplo.”2 Reconhecemos o dia seguinte e nele continuamos. Mesmo que tudo rebente na glória da clandestinidade.
1 Gilles Deleuze — Lógica do Sentido. São Paulo: Editora Perspectiva, p. 326.
2 Gilles Deleuze — Lógica do Sentido...p. 326.

  Não limitar o movimento ao demasiado local. Devolver as viagens ao atelier da pintora como uma longa linha que habita o seu caminho e toma a forma de um estado intenso de fluxo. Acordo, dissonância e troca. Dispersão. Um destino adiado que não imita a vizinhança e se constrói como errância. Cruzando tempos e lugares, uma mulher-artista suspende o medo e afasta-se da experiência trágica do fracasso. De uma e muitas épocas. A libertação da vigilância — o Eu é uma contingência, uma superfície marcada por linhas, marcas e rugas, não-biográfico: “o encontro com os outros é o verdadeiro encontro connosco”.3 Estudamos a história. Descobrimos que a vontade desfaz a lei — o singular é colectivo e heterogéneo. Um conjunto ilimitado. Como argumentou Michel Foucault, sentimo-nos muito felizes, ao contrário dos metafísicos, por abrigarmos não uma alma imortal mas muitas almas mortais:

	
3 Eduardo Lourenço — O Labirinto da Saudade. Lisboa: Gradiva, 2001, p. 180.
	E, em cada uma destas almas, a história não descobrirá uma identidade esquecida, sempre pronta a renascer, mas um sistema complexo de elementos múltiplos, distintos, e que nenhum poder de síntese domina. (...) Nós compreendemos os nossos semelhantes como sistemas inteiramente determinados e como representantes de culturas diversas, quer dizer, como necessários e modificáveis.4


4 Michel Foucault —Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, p. 21.
Transformar o regime da verdade, o corpo ideológico que regula, organiza e define o sujeito. Desnaturalizar o significante. Desbloquear modos de representação e instaurar a falha. Neutralizar os mecanismos de poder que fabricam identidades. A menina Aurélia. Um biombo que se oferece para brincar. O coelho da Alice multiplica-se em infinitos duplos e arrasta consigo o início de aventuras que convocam deuses, vapores, paixões. O programa cintilante da infância mobiliza imagens que devolvem o espaço ao universo de um quarto encantado. As escadas apontam para o céu. Por vezes aparecem pessoas que sobem e descem. Sem nostalgia, circulam para decifrar os mistérios das naturezas-mortas, paisagens, vestidos e figuras imóveis, em descanso ou em trabalho, pictoricamente representadas. Nunca é tarde demais. A artista olha-nos fixamente. O nome não foi esquecido. Aurélia de Sousa ou o argumento nietzschiano — a dissipação que se oculta sob as máscaras do eu anula qualquer identidade. Sem o desespero do homo psychologicus, os espíritos preferem as delícias dos jardins às controvérsias fúnebres. Casa-antiquário em direcção contrária e sem território contínuo. Subtis aspirações que triunfam ao passar do tempo. O esplendor do vazio e a imanência da matéria. Finalmente o indeterminismo de todas as coisas. Nem organizado nem metódico. Sem objecto ideal. O abandono de qualquer coerência unitária. O espaço da auto-representação. 

Na superfície espelhada, os reflexos prolongam uma constante e difusa quietude. O tempo. Palavras escritas como sombras de discursos esquecidos. Olhos abertos descobrem o combate do corpo. Tudo se assemelha. Por vezes é preciso enganar o mundo. Os nomes. Nada mais. Pequenas imagens revelam múltiplas forças solares. A calma do dia faz brilhar uma inesperada nostalgia. Olhamos para o jardim que se esconde nos vidros das janelas. O lago e as árvores desafiam velhos caminhos. Rastos tranquilos desenham travessias na mancha verde. Por fim, como na pintura, um pouco de céu. Voltamos à casa. 




Eduarda Neves
(a autora escreve segundo a antiga ortografia)

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact como na pintura, um pouco de céuTexto escrito para a...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>o laboratorio extraordinario</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/o-laboratorio-extraordinario</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 15:11:38 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">460426</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
o laboratório extraordinário galeria Ocupa

&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#60;img width="1066" height="1600" width_o="1066" height_o="1600" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/407226a58758aac6daf7e0c64e15cf4ac98784ecc41af1f8245aa420d3fe0401/Temporal---Carla-Cruz---2025-4.jpeg" data-mid="1447990" border="0" data-scale="30"/&#62;&#60;img width="5520" height="3680" width_o="5520" height_o="3680" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/ecbbfeb4417d85a4394ae8f46114e9373c53ab8f132a1ddc2a65501f503e680c/Alentar--ao-alento--alimento---Patricia-Geraldes---2024-3.JPG" data-mid="1447992" border="0" data-scale="60"/&#62;&#60;img width="1440" height="1080" width_o="1440" height_o="1080" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/89744a8a55e2b4eff816489df57311b09ecfbf960ae9edc17b36bd6d500ed759/Montra---Brun-Van-Dynk---Mathias-Gramoso-e-Raphael--Bachir-Osman-2020-2.jpg" data-mid="1447991" border="0" data-scale="60"/&#62;&#60;img width="5520" height="3680" width_o="5520" height_o="3680" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/fe551fc0d8a6c73bbae98f312790018508a1788a98e9c28f41ce99f3ef058003/Alentar--ao-alento--alimento---Patricia-Geraldes---2024-2.JPG" data-mid="1447993" border="0" data-scale="60"/&#62;

Que será a amizade? É a igualdade dos amigos 
(Gil J. Wolman)

Alterar as regras do jogo. Desactivar um talho para activar um espaço expositivo. Sem o aparato institucional. Com a vontade colaborativa de artistas e amigos. Estes não esquecem a intensidade que a arte pode convocar. O espaço impõe-se, varia conforme as circunstâncias. As obras também. Subtraem-se a qualquer norma para habitar o extraordinário. O mundo desloca-se e múltiplas viagens acompanham energias singulares que impulsionam novas direcções. A potência de um sistema colectivo testemunha zonas marginais. Sem denominador comum ou fronteiras reconhecíveis. Neste espaço ocupado inscrevem-se modos de vida, histórias, objectos, acontecimentos, memórias, intimidades. A liberdade ainda pode ser encontrada nos desafios que múltiplas práticas artísticas ousam instaurar.

 
Escolher o combate, não o consenso. Projectos expositivos num território de inflexíveis autonomias, num horizonte que oferece todas as possibilidades de subversão. Sem fórmulas que se apropriem da experiência. Apenas movimentos de agitação num terreno que não vacila. Um espaço laboratorial e o sentido do colectivo que se converte num verdadeiro utensílio de trabalho — uma das últimas razões de ser da diferenciação crítica. Cada artista que aqui inscreve a sua obra participa na construção de uma iconografia não domesticada. Escava a possibilidade de um arquivo, uma bifurcação de posições diferenciais. Sem o culto virtuoso da designada carreira de artista. É a consagração da autonomia não governada através das relações de poder que acaba por nos desconcertar — talvez seja este o luxo de que precisamos. A raridade da dádiva. A amizade. 


Eduarda Neves
(a autora escreve segundo a antiga ortografia)

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact o laboratório extraordinário galeria Ocupa  &#38;nbsp; &#38;nbsp;...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>(Super)Models</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Super-Models</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Sun, 31 May 2026 23:15:43 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459714</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
(Super)Models
Mayrit Biennial 2026

&#38;nbsp;Co - Curator with Mohammad SalemyINTERMEDIA Matadero&#38;nbsp; Madrid


&#60;img width="1571" height="743" width_o="1571" height_o="743" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/3a1a016309c72572a0a9ce941c32c539cc09425829ca3baf6f3689608ab57db6/Mayrit-1.jpg" data-mid="1439736" border="0" /&#62;https://mayrit.org&#38;nbsp;https://supermodels.web.app/



The word model derives from the Latin modulus, meaning measure. A model simplifies and idealizes, making something complex usable. Models appear in science and architecture, in legal codes, in the recommendation algorithms shaping what we read and watch, in the large language systems answering our questions. They begin as tools. A (Super)Model is what a model becomes when it outgrows its origins and starts producing the world it was built to describe.

(Super)Models accumulate through scale and adoption. Some arise gradually, through trial and error; others arrive suddenly, carried by the force of consensus. Once established, they shape perception across vast domains at once. The International Style in architecture that came to define postwar urban landscapes worldwide is one example. The neoliberal frameworks restructuring global economies from the 1980s onward is another. Today, generative AI systems are perhaps the most visible (Super)Model of our moment: infrastructures of expectation so deeply embedded in daily life that they pass as neutral.The exhibition takes this as its starting point. (Super)Models are not innocent. They embed speculative and critical thinking into templates for action while operating as black-box systems, obscuring their own logic and narrowing what counts as thinkable. They produce bodies, regulate behavior, normalize exclusion. They also preserve ideas across time, make complex realities actionable, and occasionally open futures that would otherwise remain foreclosed.(Super)Models brings together artists, architects, designers, and researchers to sit with this ambiguity. The works here treat models as objects of inquiry: asking how they are implicated in the social stakes of artificial intelligence, the failures of democratic governance, the violence of classification, and the closing-off of futures that do not fit available templates.The exhibition pursues what its organizers call Floating Fields: territories where models become visible as artifacts, rather than as given conditions. To look at a model from outside its own jurisdiction is already to find room to move.




esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact (Super)Models Mayrit Biennial 2026  &#38;nbsp;Co - Curator with...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>Estórias da Casa  e do Plantio</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Estorias-da-Casa-e-do-Plantio</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Tue, 19 May 2026 11:53:22 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459664</guid>

		<description>Eduarda
 Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact


Estórias da Casa 
e do PlantioArtista — Patrícia Geraldes
Curadoria — Eduarda Neves &#38;nbsp; &#38;nbsp; Folha de Sala&#60;img width="1436" height="1084" width_o="1436" height_o="1084" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/a9eb721139480b8c9d32ce530c99ad852fb9d04278b7a30b70d34998aff6ed56/11-11.jpg" data-mid="1439061" border="0" data-scale="69"/&#62;
os rumores do mundo e outras estórias  
Curadoria — Eduarda Neves



	
A história da arte está atravessada por imagens do voo. A prática normalizada e comprometida do voo, sem dissonância ou sobressalto, é como o corpus sem corpo, a língua sem desordem. O voo é uma fábula. Arrebatamento que desloca os lugares, os ventos, as distâncias e a proximidade, sem função ou ligação operatória, sem o Déspota real ou o Deus imaginário — o encontro com Félix Guattari. Poucas foram as mulheres que pintaram pássaros. Diz-se que não era possível sair de casa durante um longo período de tempo ou, então, talvez voar ainda fosse um atrevimento do desejo.“Resta o azul dos rios e, por vezes, o do céu. Resta também a chuva. E as árvores.”—Marguerite Duras
	&#60;img width="1080" height="1440" width_o="1080" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/00fa82f3fd1278dfb03ea06ca6c58db6c85587b29c8d47953d9de3966d9dad91/1-12.jpg" data-mid="1439062" border="0" /&#62;&#60;img width="1440" height="1920" width_o="1440" height_o="1920" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/d1a0801db92e2e6c400e0b8b13780c518bc558016ca6527800cd6c7eac22ce88/2-13.jpg" data-mid="1439063" border="0" /&#62;&#60;img width="1440" height="1920" width_o="1440" height_o="1920" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/da71ac52942ba8102c8365082996f5e31794ba6fc1d144046a4d09d831be698f/3-12.jpg" data-mid="1439064" border="0" /&#62;&#60;img width="1440" height="1920" width_o="1440" height_o="1920" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/e540ffb22b71a5529c2176d0a2ebc701721b3d6960c9b4e8cfdd2279309da02e/4-11.jpg" data-mid="1439065" border="0" /&#62;&#60;img width="1440" height="1920" width_o="1440" height_o="1920" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c330d48de9a1df79fb297ed26c2ba15ab00341a8b71fde657348e6000daba72a/5-11.jpg" data-mid="1439066" border="0" /&#62;
A exploração financeira não destrói apenas as populações humanas e animais. De igual maneira, as espécies vegetais são colocadas ao serviço da exploração sistemática dos recursos naturais. Sem qualquer fronteira entre individual e colectivo, real e imaginário, a proposta configura-se como programa crítico do abismo ecológico na sociedade global. Enunciando a destruição da natureza e o abandono de uma ética ambiental, a artista interroga as relações entre o mercado financeiro e as ameaças à biodiversidade, o imaginário capitalista, as relações entre a ecologia e a organização psicossocial, a interacção com o nosso habitat e até a natureza das nossas relações de vizinhança. É David Wallace-Wells que nos lembra as palavras de E. O. Wilson quando este autor já argumentara que a nossa época se devia chamar “Eremoceno — a Era da Solidão”. Se um qualquer projecto político democrático deve integrar a ecologia, também o desequilíbrio em torno dos recursos do planeta desenha a imagem da progressiva catástrofe natural — a obra de Patrícia Geraldes, traçando uma aproximação crítica a estas dimensões, não interroga apenas um qualquer estoicismo da representação mas, antes, incorpora o presente do mundo que, à maneira deleuziana, é passado e futuro.Um espaço único que acolhe o tempo de todas as estações.
&#60;img width="1440" height="1920" width_o="1440" height_o="1920" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c8cc1a0cca99ac20f46ab5b71b391095e40252aa8ddc73c307ca3c57af848f60/10-13.jpg" data-mid="1439070" border="0" data-scale="51"/&#62;
O rio. O Côa. Abismos que também são genealógicos. Memórias e sonoridades ancestrais. A aventura arqueológica. As estórias da história. Vestígios que manifestam a linguagem do dia primeiro. E de todos os outros. Sem antes nem depois. Plantas, terra e árvores, camadas rochosas arrancadas à superfície da terra, irrompem nas fissuras do tempo, devolvem-nos heranças locais e formas de vida que são também possibilidades de cura e subsistência. A transubstanciação da matéria sem insecticidas que destroem os parasitas das plantas e dos quais muitas aves se alimentam — um apelo ao equilíbrio ecológico é o que aqui igualmente se reivindica. Participando do retorno à natureza que a arte contemporânea instaura, é o diálogo com este universo sensorial dos elementos naturais que se converte no dispositivo a partir do qual o público é interpelado — intensificação da experiência e efeito da acção recíproca entre arte e paisagem. Não se trata de simples contemplação mas, sobretudo, de implicação física que convoca o espaço como agenciamento vital do corpo. Como se de uma orquestra se tratasse, todos os elementos desenvolvem ligações entre si, fixam uma subtil carga simbólica a esta espécie de psicogeografia do lugar.
 

&#60;img width="1440" height="1084" width_o="1440" height_o="1084" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c58b71ca67c9c9b4c98b5acd179402a5dcda7e849713604ea29792e8d512cf35/6-13.jpg" data-mid="1439067" border="0" data-scale="77"/&#62;&#60;img width="1440" height="1084" width_o="1440" height_o="1084" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/7d23cdb0d37d88e251a06e7276ba7c65348ae4819e13afe329029cc40982e00a/7-10.jpg" data-mid="1439068" border="0" data-scale="77"/&#62;&#60;img width="1440" height="1084" width_o="1440" height_o="1084" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/b6919e5ebd607b11fbe98956ef0d27f7e1469e3760a14f42bd637ba69c6e4da4/9-13.jpg" data-mid="1439069" border="0" data-scale="77"/&#62;
Subtraindo-se ao lugar condicionado do museu, a obra que se inscreve directamente no meio envolvente afirma-se como celebração e território de pesquisa. Nestas estórias, exalta-se uma casa comum — aquela em que vivemos desde sempre e que nunca nos dissociou do mundo. Nem o esquecimento que por momentos nos invade é capaz de tornar possível a falsa separação. Como escreveu Michel Serres: “quem representará a terra e o fogo, as abelhas e as plantas que elas polinizam?” Entre o compromisso social e até utópico, a precariedade e durabilidade, é a imagem de um certo despojamento orgânico que se apresenta. Na intrusão que a realidade opera, os materiais configuram equilíbrios e tensões, fragilidade e partilha através dos quais a natureza constitui o meio privilegiado de expressão. Ao longe, o eco das palavras de A Besta Inominável de René Char. Um reencontro com o silêncio:

Dos cascos às presas inúteis,
ela está envolta em fedor.


Assim me aparece no friso de
Lascaux, mãe fantasticamente
mascarada,

A Sabedoria de olhos cheios de
lágrimas.


Eduarda Neves
(a autora escreve segundo a antiga ortografia)
esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact   Estórias da Casa  e do PlantioArtista — Patrícia...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IV</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Da-Paisagem-ao-Mapa-Capitulo-IV</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 16:26:43 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459403</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IVMafalda Santos&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/0c3c6779ee76ffabe35e29321d86f701fc9e09d6a6a506acda97809708a889f2/652756678_17998671020872456_1230121772530166887_n.jpg" data-mid="1435963" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1200" width_o="1200" height_o="1200" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/78335d289e7d8252b741a04144468afb2ad2cb53a43dda66a7042ebb1d613eb7/654012106_17998671002872456_8598719538523060038_n.jpg" data-mid="1435964" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1200" width_o="1200" height_o="1200" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/9d4661acb4fa26330bb7faf93633a3e64b94d583fd6ac7c9fd648bc2df47a30f/653792075_17998670972872456_2538054849987052076_n.jpg" data-mid="1435965" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/2c8f22c1893b68517c4d45e0f71a6a16ebb3ab5480a6660937d74983aad8e5cc/654910331_17998670996872456_8719930200299836595_n.jpg" data-mid="1435966" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1440" width_o="1440" height_o="1440" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/2b41a9921c6b02b59346d3792a57dc1cfcd1bdc5e0ec75bad4d110d8008f668a/654388121_17998671017872456_7739470398007071794_n.jpg" data-mid="1435967" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1546" width_o="1200" height_o="1546" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f4fbec638c97d5ac33b6ca926122233f6c54919ca16ff4776cc53c6e11d0e4ca/651021376_18571760806053780_2572690185675269775_n.jpg" data-mid="1436344" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="412" height="593" width_o="412" height_o="593" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/26789a3a7dedf3d522544450e2a073580af81cfacad4566cb6d3fd0227a72063/Captura-de-ecra-2026-04-06--as-14.29.40.png" data-mid="1436345" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1200" height="1548" width_o="1200" height_o="1548" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/d5fa1679f2cdde1aae0ef05dcd12bb5833fcaaffbde9e38212881a42ceb83661/651004404_18571760797053780_3334096380082596100_n.jpg" data-mid="1436346" border="0" data-scale="50"/&#62;&#60;img width="1440" height="1908" width_o="1440" height_o="1908" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/bac75a995666d78aa9217bb24b4244c0e49c20f84ba48bcaa4099dd00c8f3d09/652025257_18571760776053780_9036151013378836138_n.jpg" data-mid="1436347" border="0" data-scale="50"/&#62;

um estranho vaguear
Por detrás, como um animal furtivo, esconde-se sempre, e uma vez mais, a questão da verdade. (Werner Herzog)


 
Há obras que, como alguns livros, não aspiram à posteridade. Singularmente movem-se como viajantes sem destino. Não fazem mais que existir. Sem verdade, apenas cumprem a sua condição de abertura, atravessam o tempo e prolongam memórias. O quarto momento do ciclo de exposições designado “Da paisagem ao mapa — capítulo IV”, ocupa o seu lugar na galeria Armazém Fundo, espaço que opera uma relação de contiguidade com a livraria Térmita. Esta situação faz articular mundos impossíveis que convocam a partilha de intensidades através das quais não encontramos a lógica da exactidão ou do comentário. Apenas o rumor da língua. Tanto melhor se aquelas não correspondem à realidade pois a comunhão é uma espécie de alquimia e não um qualquer modo de ser da verdade. 

Nestes Enredos as histórias não se contam através de signos escritos, da soberania de múltiplos regimes da linguagem ou frases impressas — projectam figuras informes que nenhuma língua é capaz de narrar. Inacabados, os enredos sobrepõem-se. Bloqueiam e confundem. Linhas, manchas e sombras desdobram-se num conjunto de forças transformado em movimento contínuo. Permanecem na imobilidade do tempo, sem cor, perdidas no espaço que lhes confere uma outra desordem. É isso que guardamos — um certo desamparo. 

Como uma fortaleza que encerra todo o estranhamento da matéria e resiste no silêncio, um livre_livroimpossibilita a promessa totalizadora do conhecimento, inscreve-se num território indefinido, sem prescrições, numa fantasmagoria que faz desaparecer a sacralização da ordem do saber. Este deixa de ser programável, configura-se numa obra que modifica a significação e inscreve potencialidades dinâmicas extra-ordinárias. Nestas massas visuais, o sentido é anunciado como transgressão e as imagens recordam-nos que não são apenas as palavras que ajudam ao esquecimento. 

Um lance de dados jogado ao acaso encontra o seu território em volumes que repousam na superfície transformando-se em cenas espaciais. Fazem implicar a profundidade das miragens, planos sucessivos e distantes, a ordem do aparentemente semelhante. Quando a imagem se manifesta como forma no exterior do texto e se dissemina como série indefinida, é o delírio que substitui a interpretação. A inteligência artificial não apreende o imenso caos ou a força do combate. Os dados estão lançados. A liberdade não é um acaso. 

As palavras recolhem-se no livro de artista. Palavras que não são exactas. Devolvem-nos grafismos, sons, texturas. A plasticidade da matéria. Nasce uma obra. A vida não cabe nas folhas de papel. Retomamos as histórias de maneira derivada e silenciosa, como uma cerimónia através da qual se interroga a violência da realidade. A apoteose espacial da superfície projecta caracteres, marcas, traços, configurações, que potenciam a omnipresença dos espaços vazios sem a regulação da verdade. 

A soberania de elementos gráficos compõe o dispositivo que fixa os limites da mimesis. A paisagem cresce como um inventário e aproxima-se do estado denso de um mapa. A indeterminação torna-se uma performativa recusa da referencialidade. Um estranho vaguear começa. 


Eduarda NevesA autora escreve segundo a antiga ortografia
esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact Da Paisagem ao Mapa - Capítulo IVMafalda Santos  um estranho...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>o tempo, o corpo, a floresta</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/o-tempo-o-corpo-a-floresta</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 16:09:13 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459401</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
Exposição de Bartolomeu Gusmãotexto para catálogo o tempo, o corpo, a floresta
&#60;img width="6000" height="4000" width_o="6000" height_o="4000" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/26df9586248c5b066aec8384176f0ee27e25d41b67935aec578359d99a03786a/IMG_3959.jpg" data-mid="1435958" border="0" /&#62;&#60;img width="595" height="1356" width_o="595" height_o="1356" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/8d7d31a5026ae43d252da42e1a0b3b65f4cf409e57f73c9babfff379a18fc02f/3_bart.jpeg" data-mid="1435960" border="0" /&#62;&#60;img width="506" height="1151" width_o="506" height_o="1151" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/42897a104704e70ada2150a189ec6cea01b573ace2a5f5e10bd04e101200a2ec/4_bart.jpeg" data-mid="1435959" border="0" /&#62;&#60;img width="477" height="1093" width_o="477" height_o="1093" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f8b3fa1af397045209eef50dc647aad571ad5b204e93a6057187d00a2bae3664/2_bart.jpeg" data-mid="1435962" border="0" /&#62;&#60;img width="477" height="1091" width_o="477" height_o="1091" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/023d6d3248a8bdaa61ac0c17d8f8e0d3a474be50f1484db36224f6089800b327/1_bart.jpeg" data-mid="1435961" border="0" /&#62;
A doutrina da floresta é como a história humana, antiquíssima, talvez até mais antiga doque ela. 
(Ernst Jünger)

À semelhança dos órgãos da planta que são folhas transformadas, como escreveu Goethe, as formas plásticas em metamorfose que Bartolomeu Gusmão nos propõe afastam-se da tentação de um desenho explicativo. Imponentes superfícies cromáticas em transição — que a densidade da linha e da cor vão na tela modulando — configuram o espaço. A espessura da natureza, tomando como sujeito o corpo vivo, liberta organismos e potencia energias que viajam através da matéria. Irradiando frio e calor, são a Lua e o Sol, a Primavera e o Verão que nos conduzem às memórias de um certo primitivismo.

 
O gato observa-nos, distante e imóvel. O apelo táctil. A espera. Imaginamos que nesse fim de tarde e no espaço que traça a ínfima curva, o animal se transmuta num esboço do repouso. O que verá ele de olhos abertos? Que mundo o afecta? Figuras interrompem a vegetação e celebram a luz, lugares repetem-se nas existências sem angústia, sem fisicalidade espectacular. Mostram-se na sua insignificância, quase despercebidos. Não são extravagantes nem dominados por códigos que incitam à culpa ou à falta, a operações terapêuticas ou à autocomplacência — a arte deve ser compreendida como uma acção dentro da própria vida, disse John Cage. As formas da interioridade que se diluem na res extensa, uma e a mesma coisa na paisagem. O direito a ser o que se é:

 Nós somos 50 poemas
o resto não somos nós mas o nada que nos veste (Antonin Artaud)

 
Quando copio da natureza um elemento do meu quadro, é aquele que não está lá — afirmou Degas. De igual modo, nas pinturas de Gusmão, é esse teatro das pulsões que não exprime o sexo-desejo mas sim os corpos e prazeres sem axiomas totalizantes. É ainda entre o desenho e a&#38;nbsp;pintura que estas representações se inscrevem na memória de uma hierarquia das artes que, porém, não deixa de ocultar uma certa acção subversiva — a pura experiência do gesto.&#38;nbsp;Operando a ligação à natureza— a nossa casa— e mobilizando outras relações de vizinhança que a história esqueceu, o território de experimentação converte-se em paisagens insólitas através das quais vestígios de gloriosos mistérios da harmonia se adensam. Árvores que têm a força necessária para voltarem a partir. Só o tempo mudou. 
 

Nestes lugares de aliança, a partir dos quais podemos escutar vozes comuns, onde descobrimos a terra e o fogo, as plantas, o ar e a água, é a mesma superfície que nos aproxima. Nas palavras de Michel Serres — impondo-se ao nosso esquecimento e à nossa ingratidão, a Biogeo faz-nos por sua vez esquecer as nossas mil redes de separação. Assim é com as obras que potenciam o espaço expositivo que, sem mistificar, ainda nos permitem tomar partido e ensaiar um universo sempre em aberto que a radicalidade substancial da pintura convoca. Abundância e materialidade transbordante figuram nesta incorporada alegria dos sentidos, na hospitalidade da tensão interna da origem. 


Um coqueiro permanece silencioso na atmosfera rasgada por manchas luminosas que não falam de pecado ou salvação. Apenas o intenso saber fazer pictórico que se oferece na opacidade singular da representação. A vida secreta do mundo. 

Eduarda NevesA autora escreve segundo a antiga ortografia
esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact Exposição de Bartolomeu Gusmãotexto para catálogo o tempo,...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>THESPACEINYOURHEAD</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/THESPACEINYOURHEAD</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 15:39:41 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459400</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
THESPACEINYOURHEAD&#60;img width="774" height="507" width_o="774" height_o="507" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/e84188ef8a68d8e66c99315477e226d7f6cdfc537aa195bdf1b651ef3ef8fa3f/imagem.png" data-mid="1435957" border="0" /&#62;Image: Sérgio Leitão


The programmatic proposal — TheSpaceInYourHead&#38;nbsp;— takes as a reference Harald Szeemann’s exhibition Live in Your Head: When Attitudes Become Form (Works – Concepts – Processes – Situations – Information).

The multiplicity of artists from different territories who are part of this proposal, use in their practices a range of media through which they problematize contemporary times in their hybrid dimensions. Establishing relationships of complementarity and/or divergence among themselves, in this program and in each exhibition, we will seek, first and foremost, subtle exchanges between works, artists and spaces.

TheSpaceInYourHead will explore the physical and spatial characteristics of DÍNAMO which, at this moment, benefits from the circumstance of maintaining an area still in the construction phase and, therefore, open to multiple and untimely possibilities of artistic intervention that will be aimed at in situ practice — fostering the dialogue of the works with a singular space but also with the history of that place, the architecture, the landscape, the people. The fact that DÍNAMO is part of an art school, with its distinct and even unexpected spaces, with a strong scenographic potential, reinforces the dominant premise of this program. Considering the expansion of the projects to the spaces surrounding DÍNAMO (thus extending it), each work is developed departing from the space in which it is located and for which it was designed, giving it not only a transformative character but granting another dimension to the place. Reaction is not intended, but rather disturbance. Refusing a single solution to a problem, there will be as many possibilities stated as there will be divergent practices. A certain instability will be a necessary condition. However, it will be the experience of the process and TheSpaceInYourHead that determines the intention.

The exhibition projects will be linked to a public program that will include guided visits to exhibitions, conferences, talks between artists, curators and theorists from different areas.

This project is supported by the municipal program for Programming Spaces.

+Info: TheSpaceInYourHead DÍNAMO – Pláka (porto.pt)



Link

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact THESPACEINYOURHEADImage: Sérgio Leitão   The programmatic...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>Coisas Que Habitamos</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Coisas-Que-Habitamos</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 14:07:28 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459137</guid>

		<description>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact
coisas que habitamos, coisas que deliram
Pouco depois, desencadeou-se a loucura do mundo.


Maurice Blanchot — A Loucura do dia. Lisboa: Edições Sr. Teste, 2020, p. 8.
&#60;img width="5020" height="3765" width_o="5020" height_o="3765" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c41f782224dd1cbb69e1134412432f39780b462049e7c38622347e61ab11357c/35.jpg" data-mid="1431981" border="0" /&#62;&#60;img width="4032" height="2436" width_o="4032" height_o="2436" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/1db5395a643df54eb3c9c4539b087d2a0af1bd787791698c736bbbac9fbfad87/20.jpg" data-mid="1431980" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/593a7d923d6591bdabb956783986d9bda5d35f919cc8f75b3b6f85e4802200fb/33.jpg" data-mid="1431979" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/532b321d9f678381d8a2924401e08e8fd68353f7893daffa34383a1fe0b3c401/26-2.jpg" data-mid="1431983" border="0" /&#62;&#60;img width="1154" height="1125" width_o="1154" height_o="1125" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/9dafefa4d572c9d4a0baeaed7ca631204aae54292f80f2b2d2203376bf8d0dcf/11.jpg" data-mid="1431982" border="0" /&#62;&#60;img width="1490" height="887" width_o="1490" height_o="887" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/2dc022cbfd72135646f7813cf3b879e01045832256a2eaf282c99aac32df4635/2.jpg" data-mid="1431984" border="0" /&#62;&#60;img width="4032" height="3024" width_o="4032" height_o="3024" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/840a137c5b2069afe54c841e138af5443b053c5dbae92e81fe7b34326d497ee5/48.jpg" data-mid="1431986" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/869f316706345ae124a3db9178cb198e8591038deb87d08eee4bbb051f3baa1c/31.jpg" data-mid="1431987" border="0" /&#62;&#60;img width="1500" height="717" width_o="1500" height_o="717" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/808c17a0a0ed7411245b6813de70d9b667bc9939250fe7c6844ec5d7b34e7753/4.jpg" data-mid="1431985" border="0" /&#62;&#60;img width="3768" height="2433" width_o="3768" height_o="2433" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/7ed1b347b782d29784d03b2909e69065f0044e48aad301919f4a4d16c463db81/46.jpg" data-mid="1431989" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/0cfbb2ca6938531c12e5b0d05b72a84e79c2383f6f5e5335453ee317bb284be7/30.jpg" data-mid="1431988" border="0" /&#62;&#60;img width="4032" height="2424" width_o="4032" height_o="2424" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/45db76b5e1d90b216abf5e14cc0f0fe2480a8e08eb44d173d5b39faefb2bb882/37_.jpg" data-mid="1431992" border="0" /&#62;&#60;img width="536" height="402" width_o="536" height_o="402" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/72ad3bf8b356b8c75710a967b47f4981fbf884d9c8a4e308045bdbdcd64eb710/42.jpg" data-mid="1431991" border="0" /&#62;&#60;img width="1209" height="1125" width_o="1209" height_o="1125" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/6ebe7df1251762a51ac30a81cc5c5b67cbb7c10f4c049bfc4d434545ba2ca5c7/13.jpg" data-mid="1431990" border="0" /&#62;&#60;img width="840" height="1125" width_o="840" height_o="1125" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/0daea4429aafa8bf7385e8c91bf9ff06f066baed6a46958ccd7626440d1963ce/12.jpg" data-mid="1431993" border="0" /&#62;&#60;img width="1149" height="1035" width_o="1149" height_o="1035" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/8a44e37f551446a5be9a65ad553219618d4b805362d58b6da2481378ac7dd534/37.jA.-pg.jpg" data-mid="1431994" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/a0070b16ce0adfcb2ec3bdf87121b30e6482a772057dd4211e19641bf9ee2d77/25.jpg" data-mid="1431995" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/fd04070277d97af83f063ee47482e8abde611370fe5c258d60b2134ec6242cde/55.jpg" data-mid="1431996" border="0" /&#62;&#60;img width="446" height="595" width_o="446" height_o="595" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f1c0d14fd86c02423be622d4301dd80e426fb9cbac8506a389e9a79bc254402e/58.jpg" data-mid="1431997" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/3417e740664d8bbbca71fbb3f957f9668b19d9aa2f4f71ae03a0d2ef1a4c9baa/18.jpg" data-mid="1431998" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/39baa595b48ef47db6fd436347fa9a77c174220122aa4d3cabe5ef9f26cd65f9/27.jpg" data-mid="1431999" border="0" /&#62;&#60;img width="4032" height="2109" width_o="4032" height_o="2109" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/b759b913ae3af2b0cc8b06ef10b32b4c220f00dedf6b7b341194597925eec365/45.jpg" data-mid="1432000" border="0" /&#62;&#60;img width="3110" height="2771" width_o="3110" height_o="2771" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/50261ab98977b1104a69b31c04d0b12c8610ca1bf1a410f21e6223218771ba3a/23.jpg" data-mid="1432001" border="0" /&#62;&#60;img width="1365" height="1026" width_o="1365" height_o="1026" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/c9ae740b6399e336f8363d672daa750bc5892941b97d95e1dc07af7e9821089b/1.jpg" data-mid="1432002" border="0" /&#62;&#60;img width="879" height="935" width_o="879" height_o="935" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/140c4cb4ce8b5c7dc56f7a2b63df967321f88167e44dc1b722a17e4c1ba9d31b/3.jpg" data-mid="1432003" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/3de1b2fc5e4cbdc1fbce7d5ab919afb457aa8ed553bc8c318c4f69a6a5f61ac6/8.jpg" data-mid="1432004" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/bcdbe0ab787b598443956a9c43b6a80100652685990d7fe5f625528439511c85/14.jpg" data-mid="1432005" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/81a1f5d4fd39a4aa9b8a5c7b07452be0d2f42597eebda4f7e5d103c954c79ab0/28.jpg" data-mid="1432007" border="0" /&#62;&#60;img width="3461" height="2450" width_o="3461" height_o="2450" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/3784b692c46d843fd12c74979dcb449275d8ac1adfc1b03e417f9dc54ac5f6cf/49.jpg" data-mid="1432006" border="0" /&#62;&#60;img width="1210" height="831" width_o="1210" height_o="831" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/8321cff8995bd7f4ac505f397fe00797de2964e513c2f12bc4aacee5dc8bfad4/9.jpg" data-mid="1432008" border="0" /&#62;&#60;img width="558" height="419" width_o="558" height_o="419" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/1fce04502acc863ed3faa6a90337a942cf72367482b7ad17ec68646a25bf9a04/15.jpg" data-mid="1432009" border="0" /&#62;&#60;img width="3821" height="2958" width_o="3821" height_o="2958" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/7198a74167e26b9ac17ec8ed44febe8bf5a0a1915cf19f0dd11d4bda733bef65/52.jpg" data-mid="1432010" border="0" /&#62;&#60;img width="419" height="541" width_o="419" height_o="541" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/1e4b987d084b8c5c7a870412b9106c7ec43df64704e747b8ffe85da2e938298e/43.jpg" data-mid="1432015" border="0" /&#62;&#60;img width="417" height="392" width_o="417" height_o="392" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/b1d6a35e87369e564453b1878acf0763d98cf9ea5d18d9c6a0e3a2d9fdf319da/44.jpg" data-mid="1432017" border="0" /&#62;&#60;img width="4032" height="3024" width_o="4032" height_o="3024" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/5bf75c904d4070490267a8662cf1c98463ac17966f983eac4e00bb3500596f4c/50.jpg" data-mid="1432016" border="0" /&#62;&#60;img width="3359" height="2457" width_o="3359" height_o="2457" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/38644a5b5a45bfde01acf57a7d6ccaeb2a4a927d1494649ba7f94ee6b0104704/38.jpg" data-mid="1432019" border="0" /&#62;&#60;img width="3582" height="2427" width_o="3582" height_o="2427" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/a6840fdfc64d89e42d8d6360b12df77ecbf2b84c52a5ac1e5ce34e8af7a7b47a/39.jpg" data-mid="1432020" border="0" /&#62;&#60;img width="3575" height="2421" width_o="3575" height_o="2421" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/04e04923e0dd49a1fa8148cc3d83873a10b9c4e8573464286bc3d6f7d96c4998/56.jpg" data-mid="1432021" border="0" /&#62;&#60;img width="1564" height="1173" width_o="1564" height_o="1173" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/641bd5ddd70f7643e7e55d944ca7e1900ff51b60b2fec43370783c2a25679c32/60.jpg" data-mid="1432022" border="0" /&#62;&#60;img width="531" height="356" width_o="531" height_o="356" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/22279c36bcad611ef1ad66f11632112d5e5978cc258a50e9f3abf419d2d2cf86/57.jpg" data-mid="1432023" border="0" /&#62;Espaço Mira —
Janeiro 2025

Apenas o silêncio onde tudo se reúne. A ilusão e a fantasia convocam a memória e a paixão dos detalhes. As coisas desdobram-se em modos indeterminados — sem fronteiras entre interior e exterior, particular e universal, matéria e espírito, objectos e ideias. Molduras e espelhos afectam-se e contradizem-se — sem limitações. Linhas e cabelos. O esplendor do nós ou a quarta pessoa deleuziana que nesta exposição desperta. Entre a madeira e o vidro, o metal e o tecido, o papel e a linguagem, cada coisa torna-se uma multidão que ora nos atrai ora nos afasta. Suspensas em fios de seda, cabelo e algodão, na forma de alfinetes ou bastidores de madeira, as coisas densas e claras, opacas e transparentes, mostram-se como restos que se oferecem na sua finitude — o que é uma coisa? perguntou Heidegger. Como dizê-la? Procuramos o que os outros não querem saber. Persistimos no tempo e no que existe. 

Pés e mãos, sapatos e luvas, guarda-jóias, travessões e ganchos, perucas, bonecas e espelhos — naturezas vivas que nos são dadas através da relação necessária que entre o esquecimento e o horizonte do prazer se instaura. Presenças usadas figuram na disposição soberana de histórias cuja anatomia se imobiliza no mistério das circunstâncias. &#38;nbsp;No reino das coisas, é a invisibilidade dos corpos que sugere a teatralidade e a torna luminosa no espaço, evoca as formas e imagens que, na sua matéria, se abre à superfície, ao afastamento, à consistência ou à fragilidade. O olhar aproxima-se e distancia-se, rasga-se na intenção ou no acidente. Olhar de lado como quem está condenado a fugir de uma poética do toque. Uma qualquer extensão imaginária das máquinas de cena é o que as coisas parecem incorporar — a aventura de, ao contrário do Eclesiastes,&#38;nbsp;&#38;nbsp;&#38;nbsp;correr atrás do vento. 

A prática artística, tornada arte do fantasma e do real, assegura a materialidade e os sentidos, os corpos ausentes e presentes, a finitude na pobreza das coisas. Neste modo de ser das existências, nas quais a radical imperfeição consagra a grande saúde nietzschiana, acompanhamo-nos a nós próprios e encontramos a possibilidade de habitar o vasto cosmos. Nas palavras de Joseph Brodsky — um objecto é o que torna íntimo o infinito. Habitar abertamente os delírios e perturbar os nomes que imobilizam as coisas é o que uma exposição ainda pode cumprir.



Link
*a autora escreve segundo a antiga ortografia


esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp; Contact coisas que habitamos, coisas que deliram Pouco depois,...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
		
	<item>
		<title>Flight Attempts</title>
				
		<link>http://eduardaneves.pt/Flight-Attempts</link>

		<comments></comments>

		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 13:53:32 +0000</pubDate>

		<dc:creator>Eduarda Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[]]></category>

		<guid isPermaLink="false">459136</guid>

		<description>Eduarda
 Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact


Tentativas de Vooo canto, a leveza, a cegueira&#60;img width="1234" height="874" width_o="1234" height_o="874" src_o="https://cortex.persona.co/t/original/i/f0fbd199670ab29a6bf770c228d0c9d8fbca8a467b7c8f6772ffa17866021bcb/back.jpg" data-mid="1431891" border="0" data-scale="79"/&#62;

WEBSITE 


O programa TENTATIVAS DE VOO—o canto, a leveza, a cegueira, é constituído por seis exposições em espaços internacionais e um projecto editorial que inclui textos críticos, ensaios visuais e registos das várias exposições. &#38;nbsp;As propostas expositivas que configuram o programa curatorial, diferentes em cada um dos espaços de apresentação, articulam vídeo, instalação, desenho, objectos e som. O voo não terá direcção. Apenas espaço indistinto. Sem alicerces.  
Curadoria — Eduarda Neves



	A história da arte está atravessada por imagens do voo. A prática normalizada e comprometida do voo, sem dissonância ou sobressalto, é como o corpus sem corpo, a língua sem desordem. O voo é uma fábula. Arrebatamento que desloca os lugares, os ventos, as distâncias e a proximidade, sem função ou ligação operatória, sem o Déspota real ou o Deus imaginário — o encontro com Félix Guattari. Poucas foram as mulheres que pintaram pássaros. Diz-se que não era possível sair de casa durante um longo período de tempo ou, então, talvez voar ainda fosse um atrevimento do desejo.“Resta o azul dos rios e, por vezes, o do céu. Resta também a chuva. E as árvores.”—Marguerite Duras
 

	

Ícaro sai do labirinto e aproxima-se do Sol. A liberdade não mata. As asas não se desfazem. Reinventam-se. Vários foram os artistas que tentaram voar. O voo é uma condição trágica da arte. Nietzschianamente, afirma-se como um princípio do futuro. Bailarino-Zaratustra. Voar é excitante e desejante. &#38;nbsp;Estimulante. Tentativo di Volo, (1969) é uma obra do artista italiano Gino de Dominicis e constitui uma referência deste projecto curatorial. A repetição do fracasso não impede o artista de continuar. Ouvimos em voz off: “Há três anos que repito este mesmo exercício. Provavelmente nunca aprenderei a voar, mas se fizer o meu filho praticar isto, e os filhos dos meus filhos, então talvez um dos meus descendentes descubra como voar”. Repetimos os acidentes e tropeçamos nas muralhas que nos impedem de escutar distintos batimentos. Que outro enunciado poderíamos escolher para a condição da arte hoje? “Cegam-se aves para cantarem melhor; não creio que actualmente os homens cantem melhor do que os seus antepassados, mas sei que os cegam muito cedo; mas o meio, o meio infame de que se servem para os cegar, é o uso de uma luz demasiado crua, excessivamente repentina e instável.”— Friedrich Nietzsche

Gostaria de pintar a maneira como um pássaro canta — terá dito Monet. Um voo derivado, lateral, que quebre todas as direcções e as coloque umas contra as outras, sem orientação. Sobrevoar o tempo — é o que procuramos nas exposições. Obras que em cada espaço nos apresentam diferentes sonoridades, múltiplas levezas, alegres cegueiras que não servem a ninguém. Coisas frágeis, sem modelo e sem estilo. Sem verdade. Sem o ar do tempo. Deslocalizadas. Outras forças solares nos movem. As obsessões de cada artista bastam-nos. Já são muito. São tudo. Mais que máquina desejante, o voo transfigura-se em máquina delirante. Contra o peso de Medusa, a leveza de um cavalo alado. Pégaso, nascido de uma paixão impossível, é recompensado por Zeus e transformado numa constelação. No céu azul grava-se a natureza do mundo.“Pássaros vi-os com o meu olhar perfurante voar tão alto, tão longe, que pareciam em descanso, mas um instante depois apareciam à minha volta, alguns corvos foram responsáveis por isso.”—Samuel Beckett
 

	Louise Lawler — Birdcalls. A nossa vida continua a erguer-se como um pássaro que foge da agonia perante a imagem de um caçador. Assim se voa.

esap.pt&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; ceaa.pt
 &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; </description>
		
		<excerpt>Eduarda  Neves Bio&#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp;  &#38;nbsp; &#38;nbsp;&#38;nbsp;Contact   Tentativas de Vooo canto, a leveza, a cegueira  WEBSITE...</excerpt>

		<!--<wfw:commentRss></wfw:commentRss>-->

	</item>
		
	</channel>
</rss>